As Práticas Integrativas e Complementares e as (boas) armas da Razão

Com a eleição do ex-militar (no espírito, com certeza, ainda o é…), muita gente está saindo do armário em termos de convicções políticas. Ou des-convicções, sei lá… Mas de certa forma espero que o que me traz aqui hoje não seja considerado também mais uma espécie de saída do armário. Mas a presente questão não é de política partidária, nem de eleições ou de sexualidade (a minha está bem resolvida desde sempre, graças a Deus…). Mas é igualmente polêmico trazê-la à luz, ainda mais de forma crítica, sem despertar ojerizas e preconceitos. Mas vamos ao ponto que interessa: falo das chamadas terapias alternativas ou, em linguagem mais moderna, integrativas e complementares (PIC), sobre as quais tenho sérias dúvidas. Continue Lendo “As Práticas Integrativas e Complementares e as (boas) armas da Razão”

A fuga dos cubanos é apenas o começo…

Dilma Rouseff foi empurrada para fora do governo, entre outras razões, por ter cometido aquele famoso “estelionato eleitoral”. Do jeito que a política no Brasil dá voltas, agora, estranhamente, nos cabe torcer para que tal estelionato seja cometido de verdade. Refiro-me naturalmente às estranhas promessas que vem fazendo, ou ameaçando fazer, o presidente recentemente eleito. Para coisas assim, o melhor seria prometer, mas não cumprir – exatamente como teria feito a infeliz presidente em seu segundo mandato. E entre tais coisas fora dos padrões normais estão a mudança da embaixada do Brasil para Jerusalém; a extinção de direitos trabalhistas; a militarização do Executivo; as ameaças ao programa Mais Médicos; a extinção e recriação de ministérios; a escolha da “Musa do Veneno” para Ministra da Agricultura, além da fatídica “volta a 50 anos atrás”. Por sorte, até agora pelo menos, algumas dessas decisões estão sendo anunciadas em um dia e negadas no outro – pelo presidente ou por seus diversos assessores e agregados sem função definida. Mas nem todas… Tudo indica que, de maneira geral e no que há de pior,  o homem fala sério… Como quem profere a Ordem do Dia em algum estabelecimento militar toda manhã.
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Saúde nas eleições 2018

Estamos a pouco mais de duas semanas das eleições e a saúde, que tem sido apontada como uma das principais prioridades dos brasileiros,  está longe de ocupar um lugar de destaque nos planos dos candidatos à Presidência da República. No DF é a mesma coisa. O que se vê, aqui e no plano federal é um festival de platitudes e generalizações, ou seja, pouco ou nenhum compromisso. Pesquisas do Datafolha têm traçado um panorama sombrio sobre tal questão. Em próximo artigo analisaremos a situação local. Continue Lendo “Saúde nas eleições 2018”

O Candidato, o SUS, as Misericórdias…

Muita ênfase foi dada nos últimos dias ao fato de ter sido o candidato a presidente Bolsonaro ter sido atendido, após o atentado que sofreu, em um “hospital do SUS”, a Santa Casa de Juiz de Fora.  Os comentários variaram, desde a constatação do valor irrisório pago pela cirurgia na tabela oficial, coisa de menos de 400 reais, valor a ser dividido entre toda a equipe, até a denúncia de que o candidato já teria dito antes que o dinheiro da saúde destinado ao SUS é mais do que suficiente.  Como sempre acontece em ocasiões catastróficas de qualquer natureza, é preciso deixar passar algumas ondas (de sangue, de infecção, de lama, de posts em redes sociais diversas etc) para se ter clareza a respeito do que se fala no calor da hora. Continue Lendo “O Candidato, o SUS, as Misericórdias…”

Atenção candidatos: o que fazer para melhorar a Saúde?

A Folha de São Paulo publicou, sob a coordenação editorial das jornalistas Cláudia Collucci e Natália Cancian, com apoio da Revista Brasileira de Ciência e Saúde Coletiva (Abrasco) e do CFM, no dia 25 de agosto último, uma ampla matéria intitulada “O que fazer para melhorar o sistema de saúde no país”. Foram entrevistados alguns nomes importantes do setor saúde no Brasil, tanto da esfera pública, como da privada. Foram ouvidas as seguintes pessoas, com as instituições representadas: Gastão Wagner (Abrasco); Martha Oliveira (Anahp); Mauro Junqueira (Conasems); Deborah Malta (UFMG); Roberto Umpierre (UFGRS); Gonzalo Vecina Neto (USP); Ana Maria Malik (FGV); Edson Araújo (Banco Mundial); Paulo Furquim (Insper); Elizamara Siqueira (Coren/SC); Claudio Lottenberg (Coalizão Saúde); Mário Scheffer (USP); Humberto Fonseca (SES-DF). Como se vê, a nossa cidade esteve representada pelo seu Secretário de Saúde, Humberto Fonseca. O que podemos tirar de proveito de tal conversa?  Continue Lendo “Atenção candidatos: o que fazer para melhorar a Saúde?”

UPAs: fazem paredes, mas falta alicerce…

Leio na mídia (link abaixo) que ocorre neste país rico que é o Brasil um desperdício de nada menos que R$ 268 milhões, dinheiro investido pelo Governo Federal na construção de 145 UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), que embora já construídas permanecem fechadas, algumas desde 2012. Alguns dados do descalabro: em São Paulo 22 UPAs fechadas; Bahia e Pará, 13 prédios cada um; Paraná, 11, Ceará; 10, Rio Grande do Sul e Pernambuco, 9 cada. E vai por aí a fora. O DF, desta vez pelo menos, não está citado neste ranking negativo. Falta de planejamento, promessas eleitorais e baixo orçamento dos municípios, são algumas das razões (ou desculpas) para justificar esta (mais uma!) vergonha nacional. Mas não é só isso… Continue Lendo “UPAs: fazem paredes, mas falta alicerce…”

Tudo para todos na saúde? Onde?

Fonte inesgotável de discussões, certamente ainda longe de um consenso, é a questão do alcance da universalidade do direito à saúde prometida pela Constituição de 1988. Numa interpretação mais generosa – ou otimista – isso significaria “oferecer tudo para todos”. Para os militantes mais renhidos do SUS não se pode abrir mão de tal prerrogativa cidadã, visto que no artigo 196 da Lei Magna está escrito, com todas as letras: a saúde é um direito de todos. E aí? No mínimo caberia indagar: isso foi possível em algum lugar do mundo, em algum tempo? Esta igualdade de direitos admite que alguns cidadãos acabam chegando primeiro ao pote, por serem mais bem informados e terem mais acesso físico e cultural aos serviços? Diante desta verdade praticamente universal não seria o caso de criar instrumentos de regulação do acesso que privilegiassem, de fato, os mais pobres e mais necessitados de maneira geral? Venho pensando e escrevendo sobre isso há muito tempo. Foi com grande satisfação que li na mídia as declarações de Marcos Bosi Ferraz, profissional que respeito muitíssimo, a respeito de tal questão. Não é questão de se ser de direita ou de esquerda. É o realismo que deve imperar em tal conversa. Ideologia é muito importante, mas os números costumam falar mais alto…
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