Saúde nas eleições 2018

Estamos a pouco mais de duas semanas das eleições e a saúde, que tem sido apontada como uma das principais prioridades dos brasileiros,  está longe de ocupar um lugar de destaque nos planos dos candidatos à Presidência da República. No DF é a mesma coisa. O que se vê, aqui e no plano federal é um festival de platitudes e generalizações, ou seja, pouco ou nenhum compromisso. Pesquisas do Datafolha têm traçado um panorama sombrio sobre tal questão. Em próximo artigo analisaremos a situação local. Continue Lendo “Saúde nas eleições 2018”

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O Candidato, o SUS, as Misericórdias…

Muita ênfase foi dada nos últimos dias ao fato de ter sido o candidato a presidente Bolsonaro ter sido atendido, após o atentado que sofreu, em um “hospital do SUS”, a Santa Casa de Juiz de Fora.  Os comentários variaram, desde a constatação do valor irrisório pago pela cirurgia na tabela oficial, coisa de menos de 400 reais, valor a ser dividido entre toda a equipe, até a denúncia de que o candidato já teria dito antes que o dinheiro da saúde destinado ao SUS é mais do que suficiente.  Como sempre acontece em ocasiões catastróficas de qualquer natureza, é preciso deixar passar algumas ondas (de sangue, de infecção, de lama, de posts em redes sociais diversas etc) para se ter clareza a respeito do que se fala no calor da hora. Continue Lendo “O Candidato, o SUS, as Misericórdias…”

Ainda a “conversão”…

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal orgulhosamente divulga sua integração à iniciativa da Organização Pan-Americana da Saúde denominada Laboratório de Inovação em Atenção Primária à Saúde – APS Forte, desenvolvido em conjunto com as secretarias de saúde de Porto Alegre e Teresina, com apoio do Ministério da Saúde. É justa tal comemoração, que significa a possibilidade de divulgar por todo o país e mesmo fora dele o rumo das mudanças na atenção primária local (Estratégia Saúde da Família) em nossa cidade, em vias de expansão para parcelas cada vez maiores da população, seguindo as tendências de melhores práticas baseadas em evidências científicas relativas à organização da atenção à saúde. Atualmente, cerca de dois terços da população brasileira está coberta pela Saúde da Família. No DF, entretanto, a expansão foi tardia, pois ainda em 2015 a cobertura populacional era de apenas 28%, porém alcançando 65% já em junho de 2018.

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Conserto em Ré…

 Antes que algum leitor reclame que eu troquei “concerto” por ”conserto”, esclareço: estou falando é daquilo que o Houaiss considera como “restauração ou recomposição de coisa rasgada, descolada, partida, deteriorada” e não de um tipo de peça musical. E aproveitando, “ré”, aqui, não é a nota que vem depois do dó e antes mi, mas sim a marcha para trás. Eis a combinação de palavras que me veio à mente quando li que a candidata a governadora do DF, Fátima Sousa, defendeu, em reunião sindical, simplesmente a estatização de todas as áreas da saúde no DF. Está em matéria do Boletim do SindSaúde (ver link ao final), instituição na qual tal discurso deve causar grande agrado.  Disse ela: “No meu governo, eu não vou deixar que nenhum serviço seja privatizado. Quem lhes diz isso é uma filha do SUS”. A candidata disse também que a saúde mental e redução da jornada de trabalho dos servidores será prioridade em sua gestão. E deixou a promessa: “Vamos também trabalhar pelo aumento salarial para que tenham condições de vida melhor e diminuição da carga horária de trabalho”. Música para os ouvidos presentes… Enfermeira e acadêmica da área de saúde que é, Fátima manifesta posições no mínimo anacrônicas ou irrealizáveis. Continue Lendo “Conserto em Ré…”

Centros de Saúde tradicionais x Unidades de Saúde da Família: é tudo a mesma coisa?

Em um dos últimos posts aqui no blog confesso ter cometido algumas ironias relativas a “novidades” previsíveis no cenário eleitoral do DF, que tem primado até agora por absoluta carência de propostas consequentes na área da saúde. Uma de tais “novidades” seria a volta dos centros de saúde da era Frejat, que até hoje muitos celebram por aqui (tanto o homem como suas realizações). Discordâncias – estas sim, totalmente previsíveis – já surgiram e na verdade alimentam uma antiga polêmica que tenho com alguns amigos, ou seja, se o modelo tradicional de atenção básica praticada no Brasil equivale ao Saúde da Família contemporâneo. Eles acham que sim, que é tudo a mesma coisa. Eu acho que não. É claro que estou falando de SF nos moldes preconizados na Política Nacional de Atenção Básica (embora a mesma tenha recebido alguns remendos pouco recomendáveis recentemente) e não em alguns simulacros que andam, por aí, os famosos “programas precários para pobre e para ‘por placa’”, para ficarmos só na sua qualificação com a letra “P”. Isso interessa diretamente à nossa cidade, vejamos por que… Continue Lendo “Centros de Saúde tradicionais x Unidades de Saúde da Família: é tudo a mesma coisa?”

Perdulário, perigoso e pouco eficaz…

Quando assumi o posto de Secretário Municipal de Saúde em Uberlândia, no início da década passada, fiquei abismado com a existência de quase 300 pessoas empregadas na Prefeitura, é bem verdade com recursos do governo federal, para realizarem o “controle da dengue”, que àquela altura ameaçava não só a cidade como muitos outras partes do país. A dengue era e continua sendo uma doença potencialmente grave (mas nem sempre…) e seu controle depende de muito mais ações do que catar latinhas nos quintais e lotes vagos e visitar as casas para constatar a existência de vasos com pratinhos cheios d’água. Não se trata de uma ironia, mas era basicamente isso o que aqueles laboriosos trabalhadores faziam. Na ocasião me perguntava se para doenças muito mais graves, como a hipertensão arterial, a diabetes, as doenças derivadas do stress e do tabaco, além de outras, se haveria, por parte do Poder Público, uma ação semelhante, ou seja, mandar os agentes da saúde nas próprias casas dos pacientes para ver se estavam bem, se tomavam os remédios, se faziam dieta e outras medidas recomendadas. Na dengue algo parecido era feito… Continue Lendo “Perdulário, perigoso e pouco eficaz…”

Atenção candidatos: o que fazer para melhorar a Saúde?

A Folha de São Paulo publicou, sob a coordenação editorial das jornalistas Cláudia Collucci e Natália Cancian, com apoio da Revista Brasileira de Ciência e Saúde Coletiva (Abrasco) e do CFM, no dia 25 de agosto último, uma ampla matéria intitulada “O que fazer para melhorar o sistema de saúde no país”. Foram entrevistados alguns nomes importantes do setor saúde no Brasil, tanto da esfera pública, como da privada. Foram ouvidas as seguintes pessoas, com as instituições representadas: Gastão Wagner (Abrasco); Martha Oliveira (Anahp); Mauro Junqueira (Conasems); Deborah Malta (UFMG); Roberto Umpierre (UFGRS); Gonzalo Vecina Neto (USP); Ana Maria Malik (FGV); Edson Araújo (Banco Mundial); Paulo Furquim (Insper); Elizamara Siqueira (Coren/SC); Claudio Lottenberg (Coalizão Saúde); Mário Scheffer (USP); Humberto Fonseca (SES-DF). Como se vê, a nossa cidade esteve representada pelo seu Secretário de Saúde, Humberto Fonseca. O que podemos tirar de proveito de tal conversa?  Continue Lendo “Atenção candidatos: o que fazer para melhorar a Saúde?”