Notícias da Saúde no DF

À procura de assunto para este post semanal, dei uma vasculhada na imprensa local a respeito de notícias recentes relativas à área da saúde no DF. Qual não foi minha surpresa quando me deparei com uma quase total escassez delas, pelo menos nos últimos dias. Isso poderia significar que está tudo bem, já que os jornais (e as demais mídias) só costumam se mobilizar quando ocorre algo errado, não só na saúde como em qualquer outro setor. Ou por outra, seria porque assuntos de maior interesse (também em sentido negativo) estariam ocupando o espaço normalmente conferido à saúde? Mas logo constatei que não parecia ser o caso, embora acidentes de trânsito e crimes mortais, inclusive contra mulheres, não faltassem no noticiário. Diante dessa súbita e inesperada calmaria, resolvi consultar a própria sessão de notícias produzida pela Assessoria de Comunicação da SES-DF. Ali sim, elas eram abundantes, cerca de uma centena e meia ao mês. Mas o que falaria a Secretaria de Saúde a respeito de si mesma? Isso me deu vontade de realizar um pequeno levantamento formal de temas e aspectos de interesse em tais matérias, que trago aos leitores deste blog agora. Continue Lendo “Notícias da Saúde no DF”

Saúde, fake-news & fake-people

Um dia, em pleno 1938, Orson Welles colocou em pânico a população americana com um programa de rádio no qual anunciava a invasão da terra pelos marcianos. Autêntica fake news, potencializada pela ingenuidade, pelo ambiente conspiratório e pela falta de informação da população. Hoje achamos graça disso, apenas uma brincadeira inocente se comparada ao fenômeno assustador que se vê no Brasil e em toda parte. Assim, um dia desses, li matéria da Folha de São Paulo (ver link ao final), a respeito dos mitos sobre saúde espalhados pelas redes sociais, checando e argumentando sobre sua veracidade. Por via das dúvidas – e de forma irônica – alerta os leitores logo ao início da matéria: “não repasse esta mensagem a seus amigos e familiares”, pois, afinal sabe-se lá até onde chega a credulidade (em combinação com a irresponsabilidade…) humana. Os tais mitos dizem respeito a coisas alarmistas, inusitadas, espetaculares, escatológicas, que geralmente se encerram encarecendo que o conteúdo seja passado adiante – para o bem de todos, naturalmente… Entre muitas outras, a área da saúde parece ser favorita. Continue Lendo “Saúde, fake-news & fake-people”

Armínio Fraga, quem diria, mereceria ser ouvido quando fala da saúde

O Brasil é um país estranho. Há generais que defendem a democracia; um ex ator pornô que agora é paladino da moralidade; um juiz que toma parte na acusação de seus réus; um defensor da probidade que contrata para seu gabinete uma vendedora de açaí que continua em seu negócio a mais de mil km de distância. Só faltava esta, vejam só: … uma figurinha carimbada do mercado financeiro, Armínio Fraga, se mete a dar palpites sobre o SUS. Mas, preconceitos à parte, não é que ele tem razão em muitas das coisas que diz? Ele, ex-presidente do Banco Central no governo FHC e agente bem sucedido no mercado financeiro, aqui e alhures, seria uma pessoa cuja opinião certamente não seria valorizada pelos defensores do SUS. Rico, tucano, queridinho dos mercados, executivo e professor de sucesso no exterior, este cara seria o último da fila a ser ouvido pela militância, em busca de sugestões para o aperfeiçoamento do nosso sistema de saúde. Armínio tem o perfil de quem jamais precisou do SUS e nem precisaria. Exceto, talvez, se fosse candidato a um transplante (mas que Deus o livre, claro!). Continue Lendo “Armínio Fraga, quem diria, mereceria ser ouvido quando fala da saúde”

Eu fico com a pureza da resposta das crianças…

O Hospital da Criança de Brasília (HCB) é personagem frequente de publicações neste blog. A maioria das vezes refletindo preocupações com os ataques e ameaças que a instituição tem recebido de alguns setores, hoje felizmente isolados, do Ministério Público do DF. Já falei muito sobre tal carga ideológica (desculpem usar esta palavra, mas ela não deve ser privilégio de certos indivíduos que só enxergam ideologia … nos outros). Vamos pular esta parte. A gestão da coisa pública por organizações sociais pode ser boa ou ruim e pode não servir para todos os casos. No caso do HCB, ela é boa e adequada à situação. Ponto final. Os pacientes, seja diretamente, seja através de suas mães e pais o confirmam diuturnamente. Eu quero falar aqui da festa do oitavo ano da instalação do hospital em parceria com a SES-DF, realizada no último dia 22 de novembro, na qual estive presente. Para dizer em poucas palavras: nada de corredores entupidos, pintura descascada, pisos esburacados, cheiro de formol, pacientes malvestidos, almoxarifados desguarnecidos, goteiras, fios desencapados, roupa suja e comida trafegando nos mesmos elevadores, além de um ambiente impregnado de odores, visões e energias que traduzem sofrimento, aquelas coisas que os hospitais ditos “públicos” abundam em mostrar. Nada disso. Bem ao contrário, um ambiente humanizado, onde imperavam limpeza, alegria, luz, música, risos, aplausos, felicidade, esperança. Poderia ser assim em um hospital estatal? Por que não? Continue Lendo “Eu fico com a pureza da resposta das crianças…”

O SUS vive!

Hoje vamos abrir uma exceção e publicar uma entrevista com um terceiro, fugindo da rotina deste blog. Mas trata-se de uma pessoa notável, amigo de muitos brasileiros, do Brasil e do SUS. Ele é Renato Tasca, italiano de Turim e responsável pela área de serviços de saúde da OPAS no Brasil. Mais brasileiro do que muitos brasileiros! Ele falou à jornalista Cristiane Segatto sobre o momento atual do nosso SUS, segundo ele um dos maiores programas sociais não só do Brasil como do mundo todo. Ele é taxativo “ na maioria dos países e, sobretudo, naqueles do tamanho do Brasil (China e Índia), não existe nada como o SUS. Se o pobre quiser uma cura, tem que pagar. Ter um SUS é o grande sonho de consumo dos cidadãos de muitos países. Nos Estados Unidos, o número de famílias que se ferram, que perdem tudo por causa de contas de hospital é enorme”. E prossegue: “é uma pena que hoje todo o esforço na criação e desenvolvimento do sistema não seja reconhecido. Hoje as pessoas acreditam mais em fake news do que em um artigo científico publicado no The Lancet. Não podemos desistir. É preciso acabar com a narrativa de que o SUS não funciona”. Bem no seu estilo, arremata: “O SUS está vivinho da silva…” Veja a entrevista completa no link: https://cristianesegatto.blogosfera.uol.com.br/2019/11/20/o-sus-esta-vivinho-da-silva-e-o-sonho-de-consumo-em-muitos-paises/

DF: melhor como município ou estado?

Inesperadamente o tema entrou na ordem do dia: o questionamento sobre número (e racionalidade da existência) dos municípios do Brasil e a consequente extinção de muitos deles. Seria um caso de um raro acerto do Governo Federal em sua emissão de políticas, não fosse o caráter de “cágado” (atenção para a acentuação proparoxítona!) de tal medida, ou seja, aquela criatura posta artificialmente em um dos galhos da árvore da reforma administrativa. Todo mundo sabe que isso aconteceu apenas para que o simpático quelônio possa ser retirado em processos de negociata – digo, negociação – com o Congresso Nacional, como fatalmente ocorrerá a seguir. Afinal, sem deixar as metáforas vegetais, a justificativa para a existência de muitos dos municípios brasileiros certamente é uma daquelas frondosas jabuticabeiras que vicejam por aqui. Mas é bem verdade que, não só essas populares mirtáceas não são exclusivas do Brasil, como certos análogos metafóricos delas ocorrem também em outros países da América Latina – Evo Morales, em turismo forçado ao México é um bom exemplo disso. Mas, o que o Distrito Federal tem a ver com isso, afinal de contas? Continue Lendo “DF: melhor como município ou estado?”

Autonomia e flexibilidade: quem não deseja isso no Serviço Público?

A gestão de serviços de saúde por administração estatal direta não é certamente a mais racional, em termos de autonomia e flexibilidade, mas é o que acontece na maioria das situações no Brasil. Aqui no DF, embora a situação mais comum seja esta, as coisas começam a mudar, com a vigência de contrato com o Icipe (Hospital da Criança), uma Organização Social – OS, e a criação de uma nova instância de gestão, o Iges, um Serviço Social Autônomo – SSA. Polêmicas não faltam, principalmente entre sindicalistas, oposição na Câmara Legislativa e certos setores ideológicos hard do Ministério Público. Mas é hora de encarar as coisas de frente, com clareza, sem preconceitos e sem ideologia – ou pelo menos dentro da boa ideologia da relevância da coisa pública e do interesse da sociedade. Eu acredito que isso seja possível. Alguns argumentos…   Continue Lendo “Autonomia e flexibilidade: quem não deseja isso no Serviço Público?”