As Práticas Integrativas e Complementares e as (boas) armas da Razão

Com a eleição do ex-militar (no espírito, com certeza, ainda o é…), muita gente está saindo do armário em termos de convicções políticas. Ou des-convicções, sei lá… Mas de certa forma espero que o que me traz aqui hoje não seja considerado também mais uma espécie de saída do armário. Mas a presente questão não é de política partidária, nem de eleições ou de sexualidade (a minha está bem resolvida desde sempre, graças a Deus…). Mas é igualmente polêmico trazê-la à luz, ainda mais de forma crítica, sem despertar ojerizas e preconceitos. Mas vamos ao ponto que interessa: falo das chamadas terapias alternativas ou, em linguagem mais moderna, integrativas e complementares (PIC), sobre as quais tenho sérias dúvidas. Continue Lendo “As Práticas Integrativas e Complementares e as (boas) armas da Razão”

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A fuga dos cubanos é apenas o começo…

Dilma Rouseff foi empurrada para fora do governo, entre outras razões, por ter cometido aquele famoso “estelionato eleitoral”. Do jeito que a política no Brasil dá voltas, agora, estranhamente, nos cabe torcer para que tal estelionato seja cometido de verdade. Refiro-me naturalmente às estranhas promessas que vem fazendo, ou ameaçando fazer, o presidente recentemente eleito. Para coisas assim, o melhor seria prometer, mas não cumprir – exatamente como teria feito a infeliz presidente em seu segundo mandato. E entre tais coisas fora dos padrões normais estão a mudança da embaixada do Brasil para Jerusalém; a extinção de direitos trabalhistas; a militarização do Executivo; as ameaças ao programa Mais Médicos; a extinção e recriação de ministérios; a escolha da “Musa do Veneno” para Ministra da Agricultura, além da fatídica “volta a 50 anos atrás”. Por sorte, até agora pelo menos, algumas dessas decisões estão sendo anunciadas em um dia e negadas no outro – pelo presidente ou por seus diversos assessores e agregados sem função definida. Mas nem todas… Tudo indica que, de maneira geral e no que há de pior,  o homem fala sério… Como quem profere a Ordem do Dia em algum estabelecimento militar toda manhã.
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De Alma Ata a Astana

Em 1978, no longínquo Cazaquistão, mais precisamente em uma cidade de lindo nome, Alma-Ata, realizou-se uma conferência internacional, patrocinada pela Organização Mundial da Saúde, tendo como tema a Atenção Primária à Saúde, que no Brasil é mais conhecida como Atenção Básica. Como é de praxe em tais ocasiões, uma declaração formal foi preparada e até hoje é muito comentada em todo o mundo. Nela, em uma dezena de tópicos, se apelou para que os governos, especialmente dos países em desenvolvimento, bem como outras entidades e organizações, se empenhassem em encontrar soluções urgentes para transformar a promoção da saúde como uma das prioridades da nova ordem econômica internacional. O lema de então era: Saúde para todos no ano 2.000. Pois bem, o referido ano já chegou, já se vão quase duas décadas. E aquela generosa “saúde para todos” ainda é, lamentavelmente, apenas “saúde para poucos”. Mas a esperança é a última que morre…
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Temos novo governador: e agora?

O fenômeno já está sendo tratado como um case pelos cientistas políticos. Afinal, como é que alguém, em poucas semanas, abandona os meros “traços” de incidência de votos nas pesquisas eleitorais e ganha a eleição com mais de 70% das preferências? Realmente incrível… Certamente é mais uma combinação daquilo que Maquiavel chamou de fortuna (nos dois sentidos da palavra: dinheiro e sorte) e virtude (ou pelo menos a capacidade de estar presente em momento e lugar adequados, além de sintonizado com as expectativas dos eleitores). Mas o certo – e incontestável – seja bom ou ruim; estranho ou corriqueiro é que Ibaneis está eleito. Assim quiseram seus eleitores. Respeitemo-los… Mas o que diz ele da saúde? Isso é o que nos interessa no momento. Continue Lendo “Temos novo governador: e agora?”

O lado B. do Brasil…

Pois é, o fatídico sétimo dia de outubro chegou e superou todas as nossas (más) expectativas… Quando digo “nossas” não estou falando de só mim, mas também de um monte de gente, muitos milhões de pessoas, que ainda acreditam, se não nos políticos, pelo menos em certas virtudes humanas, como tolerância, discernimento, capacidade de indignação, aceitação das diferenças.  Mas lamentavelmente somos minoria neste momento. Acho mesmo que vivemos uma situação ainda pior do que aquela de março-abril de 1964, quando ocorreu um golpe militar, que acabou por se esgotar e se arruinar progressivamente, embora só 20 anos depois. Mas agora, o monstro está para ser eleito! E quem o colocou em tal posição foi nosso vizinho, o cara do carro da frente, o moço que senta de nosso lado no ônibus, nossa faxineira, o balconista doa farmácia, o senhor aposentado que joga Damas na pracinha, a moça do caixa do supermercado. Foram eles que assim escolheram… Resignar? Talvez, provisoriamente, sim. Deu uma ajuda, também, para que tal coisa esteja acontecendo, a falta de juízo e de espírito público e de estadistas daqueles líderes que preferiram apostar em suas veleidades pessoais, ao invés de lutarem pela formação que fosse de uma geringonça, à moda portuguesa, para derrotar a Besta. Isso não nos consola em nada – e eles ficam nos devendo essa… Mas enquanto isso, vamos ver se na saúde o tal “mito” (está mais pra “mico”, se não um primata de maior porte) nos traz alguma novidade. Continue Lendo “O lado B. do Brasil…”

Na Saúde, do que realmente precisamos no DF?

O Correio Braziliense, jornal com o qual colaboro esporadicamente, me pede um artigo sobre o que esperar do futuro governador do DF em matéria de saúde. Deve estar sendo publicado a qualquer momento, nesta véspera dramática de eleições, não só aqui em Brasília como no Brasil. Com os dois mil toques que me impuseram,não pude fazer nada melhor, mas pelo menos acredito que cansarei menos os leitores. Aqui vai. Continue Lendo “Na Saúde, do que realmente precisamos no DF?”