“E daí?”: tempos de coronavírus e a banalidade do mal: reflexões à luz de Hannah Arendt

O Aprendiz de Feiticeiro, história também levada às telas pela Disney, com Mickey no papel principal, é um poema de Goethe, no qual um velho feiticeiro sai à rua e deixa um aprendiz com tarefas de limpeza a realizar em sua oficina. Este, lá pelas tantas, cansado da monotonia da faxina, usa seus parcos conhecimentos de magia para fazer com que um esfregão trabalhe sozinho para ele. Um pandemônio logo se instala quando o atrevido rapaz se dá conta que não é capaz de parar o instrumento e, pior ainda, ao tentar parti-lo em pedaços, cada um destes torna-se capaz de se transformar em um novo esfregão, o que só aumenta a desordem no ambiente da oficina do feiticeiro. Estes tempos de hoje, com Covid na vanguarda, sádicos no comando do país, ideias obscurantistas pululando, cientistas sendo desacreditados e um tanto de gente fazendo terrorismo religioso, sinceramente, me trazem a impressão que alguém buliu em algo que não entendia e cujo controle está agora impossível de se obter. O tal “esfregão” que 57 milhões de brasileiros resolveram libertar de sua bizarra magia própria já produziu milhares de ativos pedaços seus e a cada dia surgem novas barbaridades perpetradas por tal legião. O achincalhe daquela pobre garota estuprada, humilhada e agredida publicamente, a quem negavam o direito de interromper uma gravidez não só indesejada como arriscada, é apenas uma mostra de acontecimentos que viraram rotina e mesmo se repetem por toda parte neste pobre (nos vários sentidos do termo) País.  Procuro aqui refletir sobre tal tema à luz do que a filósofa Hannah Arendt chamou de “banalidade do mal”, à vista de figura macabra do carrasco nazista Adolf Eichmann. Ela conheceu de perto Eichmann, mas não Jair “E daí?” Messias e seu cortejo rastejante. Se isso tivesse sido possível com toda certeza escreveria mais sobre o assunto.

Acesse o texto completo no link abaixo.

Uma resposta para ““E daí?”: tempos de coronavírus e a banalidade do mal: reflexões à luz de Hannah Arendt”

  1. “Quanto mais se ouvia Eichmann, mais óbvio ficava que sua incapacidade de falar estava intimamente relacionada com sua incapacidade de pensar…”

    Perfeito! Impressiona e clarifica a malfadada semelhança.

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