Notícias da Saúde no DF

À procura de assunto para este post semanal, dei uma vasculhada na imprensa local a respeito de notícias recentes relativas à área da saúde no DF. Qual não foi minha surpresa quando me deparei com uma quase total escassez delas, pelo menos nos últimos dias. Isso poderia significar que está tudo bem, já que os jornais (e as demais mídias) só costumam se mobilizar quando ocorre algo errado, não só na saúde como em qualquer outro setor. Ou por outra, seria porque assuntos de maior interesse (também em sentido negativo) estariam ocupando o espaço normalmente conferido à saúde? Mas logo constatei que não parecia ser o caso, embora acidentes de trânsito e crimes mortais, inclusive contra mulheres, não faltassem no noticiário. Diante dessa súbita e inesperada calmaria, resolvi consultar a própria sessão de notícias produzida pela Assessoria de Comunicação da SES-DF. Ali sim, elas eram abundantes, cerca de uma centena e meia ao mês. Mas o que falaria a Secretaria de Saúde a respeito de si mesma? Isso me deu vontade de realizar um pequeno levantamento formal de temas e aspectos de interesse em tais matérias, que trago aos leitores deste blog agora.

Resolvi voltar algumas semanas no tempo para tal pesquisa, porque o momento mais recente, correspondente ao período de festas natalinas e férias, poderia não ser muito significativo em termos de ocorrências (o adoecimento das pessoas tem desses caprichos…). Assim, levantei nada menos do que 40 postagens sucessivas, feitas ao longo da última semana de novembro passado. Para acessar tal material, veja o link ao final.

Em termos de origem, na rede de serviços e unidades da SES-DF, o montante é largamente favorável ao nível central, cerca de 80% das matérias divulgadas. O conjunto dos hospitais e dos centros de saúde responde pelo restante.

A maioria das matérias refere-se a divulgação de eventos, como comemorações, homenagens, celebrações de “dias” disso ou daquilo. É claro que existe um interesse de transformar as referidas matérias em convite à participação, dirigido ao público interno da SES, ou mesmo a usuários, mas isso nem sempre é possível dado o caráter apenas retrospectivo de muitas dessas matérias, ou mesmo sua divulgação em cima da hora do respectivo evento. Da mesma forma, este conjunto poderia também ser classificado como de “educação e informação em saúde”. A questão, todavia, diz respeito ao alcance real que tal mídia possui, provavelmente sendo absorvida – se é que o seria – mais pelo público interno (ou por curiosos como este que ora lhes apresenta seus achados).

Alguns tópicos representam tão somente “comunicados oficiais”, a respeito de feriados na rede ou dias de vacinação, por exemplo.

Em termos temáticos, o cenário é dominado, quase em pé de igualdade, pelo foco em condições clinicas específicas (AIDS, doenças da infância, gravidez, saúde da mulher, por exemplo), junto com assuntos de vigilância à saúde, entre outros, controle da dengue, imunizações, prevenção de DST, prevenção de câncer. Os temas ligados à gestão, mormente relativos a recursos humanos, vêm em segundo lugar.

Naturalmente, não há referências a conhecidos problemas da rede de serviços, tais como, precariedade de instalações, falta de pessoal, carência de insumos, deficiências de pessoal etc. Mas ao mesmo tempo são frequentes as informações sobre reformas, aquisição de equipamentos e ampliação de prestação de determinados serviços. Tudo como seria de se esperar, aliás.

Finalizando esta breve análise cabe mencionar o que seriam possíveis “áreas de sombra”, ou seja, ausência de assuntos que deveriam pertencer à ordem do dia e, portanto, estarem gerando notícias – positivas, certamente.

Digo com convicção que tais aspectos “deveriam estar na ordem do dia”, por se tratarem de temas de sabida e reiterada importância, principalmente em termos dos processos de gestão da SES-DF. Sua lista não é pequena, como apontarei a seguir. Sua ausência pode significar duas coisas: (1) não estão sendo discutidos internamente; (2) estão sendo considerados, mas o público não está sendo informado disso. Em um caso ou outro, trata-se de situação a ser lamentada.

Assim, por exemplo, tomo algumas questões, colocadas sob a forma de indagações, na verdade, perguntas que não querem se calar – e não é de hoje! Aqui vão elas, em lista que não pretende ser de forma alguma exaustiva:

  1. Qual é a real definição do modelo assistencial que se deseja para a saúde no DF? Pretende-se, de fato, o foco na atenção primária? E que ela seja de fato resolutiva e ordenadora do sistema de saúde?
  2. Especificamente na gestão de recursos financeiros, quis são as perspectivas e os limites da descentralização, se é que alguma forma disso vem sendo cogitada?
  3. Que tipo de instrumentos estão sendo desenvolvidos parasse estabelecer no sistema público de saúde do DF parâmetros como aferição de valor e qualidade de serviços, remuneração por performance e outras formas de valorização de desempenho das equipes de saúde?
  4. Da mesma forma que na gestão financeira, quis são as perspectivas e os limites cogitados para a descentralização e a racionalização de compras de medicamentos e outros insumos?
  5. Que tipo de acordo, com seus conteúdos e procedimentos, se pretende para a gestão de fluxos de pacientes entre o Distrito Federal e os municípios de seu Entorno?

Olhando bem, nenhuma novidade. Isso está (ou deveria estar) nos planos de governo que sucessivamente são apresentados à população do DF. Mas não ver sinal de sua presença na atual pauta de discussões é coisa que de fato preocupa aqueles que, como eu, se dedicam a pensar nos rumos do sistema de saúde em nossa cidade e região.

***

Informe-se mais: http://www.saude.df.gov.br/category/noticias/

 

 

 

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