Os enfermeiros e a Atenção Primária à Saúde

Escrevendo esta nota de maneira um tanto rápida, não pude apurar números exatos, mas creio que se pode afirmar que existem, no DF e seu Entorno, talvez uma dezena de cursos superiores de enfermagem, que colocam no mercado algumas centenas de profissionais e cada ano. Fico curioso em saber onde vão essas pessoas cumprir seu destino profissional. Acredito que a maioria é daqui e aqui deve ficar, até porque existem cursos dessa natureza em quase toda parte no Brasil, e assim as migrações não fariam muito sentido. A maioria dos formandos talvez procure seu primeiro emprego em hospitais. Afinal, é a este tipo de estabelecimento que se associa mais frequentemente o papel da enfermeira(o), desde os tempos Nightingalianos…

Mas ao mesmo tempo se sabe que os hospitais brasileiros estão se reduzindo em número, embora aumentando em tamanho. De toda forma, como oportunidade de carreira, não parece muito brilhante o futuro desta via para a moçada que sai dos cursos de enfermagem. Mas, na verdade, não deveria haver motivo para desassossego ou pessimismo, pois há portas abertas para os enfermeiros(as) fora dos hospitais. Muitas portas, aliás… 

Assim, atualmente pode-se dizer que há uma tendência mundial no sentido de que a enfermagem desempenhe um papel crítico no avanço da Atenção Primária à Saúde. Isso tem sido apregoado e incentivado pela Organização Mundial da Saúde, através de seu escritório para as Américas (OPAS), além de outros organismos internacionais. Além disso, configuram práticas consagradas nos bons sistemas mundiais de saúde, como é o caso do Canadá, do Reino Unido, de Cuba e de outros países, nos quais novos perfis, ditos de “enfermeiros em práticas avançadas” são fundamentais na construção da APS e, em particular, na promoção da saúde, na prevenção de doenças e nos cuidados às populações de áreas rurais e carentes.

Além disso, recursos humanos de tal natureza são também essenciais para atender às necessidades crescentes de saúde da população e alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em que pese haver lacunas importantes entre os perfis de competência dos profissionais de saúde e as necessidades na APS, em particular na transformação da educação em saúde e na capacitação no planejamento estratégico e gestão de recursos humanos para a saúde.

O Conselho Regional de Enfermagem do DF acaba de lançar a seguinte nota a respeito de tal assunto.

A Organização Pan-Americana da Saúde, braço regional da Organização Mundial de Saúde, lançou, neste mês de maio, publicação defendendo a ampliação do papel dos enfermeiros na atenção primária à saúde.

Há mais de quarenta anos, a Atenção Primária à Saúde (APS) é reconhecida como a base de um sistema de saúde eficaz e responsivo. A Declaração de Alma-Ata de 1978 reafirmou o direito ao mais alto nível de saúde, com igualdade, solidariedade e o direito à saúde como seus valores fundamentais. Sublinhou a necessidade de serviços de saúde abrangentes, não apenas curativos, mas também serviços que atendam às necessidades em termos de promoção da saúde, prevenção, reabilitação e tratamento de condições comuns. Um forte nível resolutivo de atenção primaria de saúde é a base para o desenvolvimento de sistemas de saúde.

O Relatório Mundial de Saúde, em 2008, intitulado “Agora mais do que nunca” restabeleceu em nível global a necessidade da abordagem da APS, fornecendo evidências concretas de que a mesma era acessível e tinha maior impacto na prestação de assistência de saúde onde as pessoas vivem. Em 2014, os Estados Membros da Organização Pan-Americana da Saúde adotaram a Estratégia para o Acesso Universal à Saúde e Cobertura Universal de Saúde, que reitera o direito à saúde, solidariedade e equidade e promove o desenvolvimento de sistemas de saúde baseados na APS.

Os recursos humanos são essenciais para atender às necessidades crescentes de saúde da população e alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. No entanto, há a necessidade de abordar as lacunas existentes entre os perfis de competência dos profissionais de saúde e as necessidades na APS.

A Organização Pan-Americana da Saúde / Organização Mundial da Saúde (OPAS / OMS) apoia os países no estabelecimento de equipes interprofissionais de atenção primária à saúde, na transformação da educação em saúde e na capacitação no planejamento estratégico e gestão de recursos humanos para a saúde.

A enfermagem pode desempenhar um papel crítico no avanço da APS. Novos perfis, como os enfermeiros de prática avançada, conforme discutidos neste documento, podem ser fundamentais nesse esforço e, em particular, na promoção da saúde, prevenção de doenças e cuidados, especialmente em populações de áreas rurais e carentes.

O Coren-DF divulga, também, um livro editado pela OMS sobre estes novos papéis e atributos das enfermeiras(os), que pode ser acessado através do link: http://www.cofen.gov.br/oms-lanca-livro-sobre-ampliacao-do-papel-dos-enfermeiros-na-atencao-primaria_62794.html

Ou acesse diretamente neste link: ENFERMEIROS APS

 

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